segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Lançamento do livro: Aprendo Ensinando: Experiências num Espaço Religioso






História contada pelas próprias mãos. A premissa é a motivação da yalorixá Valnísia de Aiyrá,que lançou o segundo livro, Aprendo Ensinando: experiências num espaço religioso, no último dia 12, às 18 horas, na Praça de Oxum do Terreiro da Casa Branca,Av. Vasco da Gama, 463.
Dois anos depois de iniciar o registro de sua trajetória em Resistência e Fé: fragmentos da vida de Valnízia de Aiyrá, de 2009, falando sobre pessoas que fizeram parte da sua vida, como a infância e a sua iniciação religiosa, a líder espiritual do Terreiro do Cobre, na nova obra,l ançada no dia do seu odún (data de iniciação), conta seu processo de aprendizagem com os erros, acertos, trocas e observações ao longo da formação e crescimento da família de axé.
A narração detalhada das situações com as dificuldades e êxitos demonstra a segurança de quem sabe e sente o que escreve, típico da experiência adquirida na academia da vida de onde faz questão de ser eterna aluna. Essa transparência é traduzida nas 100 páginas de discurso leve como uma conversa, tornando o leitor um amigo.
Desde o primeiro iniciado, Mãe Val conta a chegada e trajetória decadafilhoqueXangôdelegou a vida espiritual aos seus cuidados até hoje. Depois da primeira publicação, Mãe Val amplia o legado aos seus filhos e religiosos do Terreiro da Casa Branca (o mais o mais antigo terreiro da nação ketu no Brasil), onde foi iniciada.
O fato de conhecer detalhes de sua história por pesquisas antropológicas incomodou a sacerdotisa, que é tataraneta da africana Margarida de Xangô, que se instalou na Barroquinha,e bisneta de Flaviana Bianc de Oxum, que trouxe o Cobre para o Engenho Velho da Federação.
Convicta da importância de repensar suas ações, fazer o melhor e mudar no que for necessário,a autora abre espaço para filhos e amigos que expressam opiniões sobre o terreiro e sua líder em poesias e depoimentos. Atitude que revela a consciência do significado do registro na religião, que tem a oralidade e a vivência como meios básicos de repasse de conhecimento,e a consciência de ter muita história para contar.
“Para conhecer as histórias sobre minha tataravó Margarida de Xangô e sobre minha bisavó Flaviana Bianc recorri aos estudos de um historiador francês. Então, nesses anos todos  dessa minha trajetória espiritual eu fiquei pensando por que eu mesma não poderia contar as histórias da minha comunidade”, afirma Mãe Valnizia.
De acordo com a yalorixá, um dos objetivos desse novo livro é enriquecer a memória coletiva da comunidade religiosa que lidera. “Eu quero que no futuro os netos e bisnetos dos meus filhos-de-santo saibam de onde vem a sua ancestralidade e tenham consciência do que estão fazendo no Terreiro do Cobre”, acrescenta Mãe Valnizia.
A iniciativa tem o apoio da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) e a parceria da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi); Fundação Pedro Calmon, da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia; Secretaria Municipal da Reparação (Semur) e APLB.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

E kú Òjo! Boas Chuvas!

A chegada do inverno é a oportunidade para mais uma bela reflexão de Mãe Stella, esta foi publicada em sua coluna quinzenal no Jornal A Tarde no último dia 22 de junho, acredito que irão gostar...
E o tempo continua “andando”.  Seria melhor dizer que na época atual o tempo continua “correndo”. O outono passou e o inverno já chegou para os habitantes do hemisfério sul, é claro. Relembro este fato porque parece que as pessoas se esquecem deste pequeno detalhe ao importar a cultura proveniente de outro hemisfério.
Enquanto a parte sul do planeta está vivenciando a primavera, a parte norte está em pleno outono. Isto muda tudo para o mundo místico e mágico. Aqui no Brasil, principalmente, os cursos de línguas estrangeiras estão comemorando o Halloween no auge da estação das flores, enquanto que nos Estados Unidos este ritual folclórico é festejado na estação vinculada à morte e aos mortos. É possível comemorar o “Dia das Bruxas” com o sol brilhando?… Afinal, as bruxas (muito mal interpretadas) são pessoas essencialmente noturnas, que necessitam de pouca luz para trabalharem com os seres de outras dimensões.
Nada contra a importação de culturas, como é o caso da Europa que pratica respeitosamente a capoeira, contanto que quem realize este ato conheça muito bem os fundamentos do que pratica. Muita gente pode dizer que tudo isto é uma grande bobagem, porém se refletirem sobre o sentido da passagem das estações, isto é, do ritmo do tempo, descobrirá um enorme significado concreto e, principalmente, abstrato.
Káàbò àkókò otútù! = Seja bem vindo inverno! Traga para nós as chuvas fertilizantes que caem do Òrun; que elas purifiquem nossos pensamentos, como puro são os pensamentos de Oxàlá, a divindade que se veste de branco, fazendo uso do simbolismo desta cor para nos lembrar a necessidade da pureza física e espiritual; que elas nos cheguem na medida certa, com equilíbrio, para que as residências de nossos irmãos não sejam afetadas; que elas nos façam lembrar que nossas crianças precisam de agasalhos, sejam eles tecidos de lã ou de afagos, de proteção que gera respeito, para que elas nos obedeçam quando dissermos (claro que “cortando a onda” delas): “Má wonú òjo, kí asó ò ré má ba tutu, ki òtútù ma ba mu é o” = “Não ande na chuva para evitar que sua roupa se molhe, para que não apanhe uma gripe”.
Não só as crianças, mas todos nós precisamos de cuidados específicos para cada período do ano. No inverno, doenças infecciosas produzidas por vírus e bactérias produzem sintomas como febre, cefaléia, mal-estar, dores no corpo… Os problemas respiratórios aumentam. Todos têm uma receita caseira para tratar os referidos sintomas: escalda-pés, chás diversos (com detalhes curiosos na preparação).
O povo é sábio! Na verdade, os conhecimentos científicos passam primeiro pela sabedoria popular para só depois serem comprovados pelo mundo acadêmico, retornando para o povo de maneira estruturada, isto é, o chá que nossa avó nos ensinou, a ciência nos transmite a medida certa que devemos tomá-lo, sem prejuízo para nossa saúde.
O inverno é tempo de aconchego. E o mesmo aconchego que aumenta a propagação dos vírus é aquele que nos aquece e dá condições de viver. A parábola do porco-espinho já é muito conhecida, mas não custa relembrarmos dela, pois de nada adianta um conhecimento se não o fixarmos, para assim incorporarmos ele na nossa vivência diária:
“Os porcos-espinhos estavam para serem extintos da terra, em um período de muito frio. Recorreram, então, a uma tática de sobrevivência. Ficaram todos muito juntinhos, a fim de aquecerem seus corpos com o calor do outro. Acontece que os espinhos de um feriam o outro. Resolveram afastar-se. A situação piorou, fazendo com que eles retornassem à antiga opção. Com o passar do tempo, aprenderam a conviver um com o espinho do outro. Afinal, era uma questão de sobrevivência.”
No caso de nós humanos, a necessidade de nos relacionarmos com os nossos semelhantes e, consequentemente, com os defeitos deles, seus “espinhos”, não é apenas uma questão de manter o corpo físico vivo, é também uma questão de sobrevivência emocional. Ferimo-nos mutuamente, mas  Oxàlá – Olowù nos deu de presente o algodão,para que possamos limpar as mágoas, as feridas de nossas almas.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Exposição Itinerante do Museu Afro Brasil

O Museu Histórico e Pedagógico Marechal Cândido Rondon, de Araçatuba, recebe desta sexta-feira a 16 de julho a exposição itinerante do Museu Afro Brasil "Emblemas Afro-Baianos de Rubem Valentim". A abertura é nesta sexta, às 20h, e a visitação é gratuita.

A mostra é composta por 14 obras produzidas com a técnica de serigrafia (processo de impressão a partir de um molde) pelo artista plástico Rubem Valentim. As imagens simbolizam o candomblé por meio de uma linguagem geométrica, do colorido típico dos trabalhos do artista, e de características ligadas ao concretismo (movimento artístico vanguardista com o intuito de acabar com a distinção entre forma e conteúdo).