sábado, 26 de fevereiro de 2011

CCRI consegue a suspensão da demolição do Ilê Axé Ogun


RIO - Apesar do pedido feito à Justiça pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) para suspender a demolição de um templo religioso na Vila Harmonia, no Recreio dos Bandeirantes, a secretaria municipal de Obras confirmou que o local será desapropriado. Em nota, no entanto, a CCIR afirma que conseguiu a garantia de que o templo só seria derrubado até que a fiel que se encontra em período de preceito do Candomblé, considerado um tempo sagrado no qual se faz abstenções voluntárias, termine o ritual.

De acordo com a secretaria, o templo Ilê Axé de Ogum e Iemanjá faz parte do traçado da TransOeste, serviço que terá ônibus articulados e ligará Campo Grande e Santa Cruz a Barra da Tijuca. Mais cedo, Mãe Dolores de Oya, secretária da Diretoria Nacional do Centro de Tradições Afro-Brasileiras (Cetrab), afirmou que a demolição seria arbitrária, e disse que o traçado da obra não passaria pela região.

— Não sabemos se a argumentação tem base. O projeto que nós conseguimos da TransOeste não aponta nada nesta área. Se existe verbalmente, não está colocado no papel.

Na manhã desta sexta-feira, representantes e seguidores do templo fizeram uma reza e um protesto pacífico para que o imóvel, que já teve uma das paredes demolidas na quinta-feira, não venha abaixo. A assessoria da Prefeitura do Rio confirmou que até o momento não foi notificada pela Justiça sobre o pedido de suspensão da demolição feito pela CCIR. A insituição argumenta que a prefeitura não pode dar continuidade à demolição por ainda caber recurso. Segundo o advogado Mário Fonseca, representante da CCIR, o desembargador deu decisão monocrática sobre o caso, o que permite que haja agravo interno, quando outros dois desembargadores devem tomar conhecimento do recurso. Fonseca afirmou ainda que a intenção é pedir que nada seja demolido enquanto o agravo não terminar. A Defensoria Pública também deve solicitar à Justiça que as desapropriações na área sejam suspensas até a análise do agravo.

O sacerdote do candomblé Sérgio D´Ogum lembrou ainda que os valores oferecidos pela prefeitura por cada imóvel da região giram em torno de R$ 10 e R$11 mil, enquanto o metro quadrado é estimado em R$ 3.200. Também em nota, o interlocutor da Comissão, babalawo Ivanir dos Santos, disse que a preocupação é fazer com que haja igualdade entre as religiões:

"Com igrejas, houve acordos. Com centros de religiões de matrizes africanas, o tratamento, segundo o que os sacerdotes dizem, tem sido diferente. O que não pode acontecer. Sendo assim, queremos chamar atenção do prefeito para que todos sejam tratados da mesma forma".

Nesta quinta-feira, funcionários da subprefeitura da Barra da Tijuca passaram o dia na Favela Vila Harmonia numa operação para demolir 20 residências. As famílias que moram no local resistiam a sair, e os próprios funcionários retiraram os pertences de moradores e colocaram em caminhões. A remoção das casas deveria ter ocorrido em dezembro, mas foi suspensa por liminar obtida pela Defensoria Pública do estado no plantão do Judiciário. Na quarta-feira, no entanto, a Procuradoria Geral do município conseguiu cassar a decisão em agravo a 2ª Câmara Civil do Tribunal de Justiça. Um dos motivos alegados pela prefeitura é que as casas não podem ser regularizadas por se encontrarem em área projetada para a ampliação da Avenida das Américas.

Em dezembro do ano passado, representantes de várias crenças fizeram um protesto contra a obra, que deverá demolir 50 templos, segundo a CCIR. Cerca de 20 pessoas, entre católicos, judeus, protestantes, hare-krishnas, umbandistas e espíritas se encontraram no terreiro Ilê Axé de Ogum e Yemanjá.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Terreiro de candomblé está sendo derrubado no Recreio - Religião e Fé - Extra Online

Terreiro de candomblé está sendo derrubado no Recreio - Religião e Fé - Extra Online

Não era essa a noticia e matéria que havia preparado para a publicação desta semana, mas mais uma vez este blog servirá como instrumento de denúncia contra o Estado que não nos reconhece como instituição religiosa, nem tão pouco nos asseguram o direito a inviolabilidade religiosa dos templos, pois na questão da Transoeste(-RJ ), nossos templos uns com mais de TRINTA ANOS  no local forma classificados com comércio, um absurdo atrás do outro.


Ontem derrubaram o muro e hoje as 7:00 esta marcado para continuar a derrubada, há uma Yawo recolhida no local, e o mais triste é que ainda não obtivemos nenhuma notícia do desfecho desta situção.


Matéria postada em 24/02 as 20:46hs no site Extra



Agentes da prefeitura estão neste momento em frente ao terreiro de candomblé Ilê Asé T'Ogun T' Yemonjá, na Vila Harmonia, Recreio dos Bandeirantes. De acordo com um membro da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR), que está no local, o muro foi derrubado. Dentro do templo religioso, há uma pessoa recolhida para fazer cabeça. Um ônibus da Guarda Municipal e um trator estão parados diante do terreno.
A prefeitura alega que a Vila deve sair do local para a construção da TransOeste, mas a Defensoria Pública questiona a alegação, já que não haveria previsão para que parte do trajeto passe por ali.
Em dezembro, Sérgio Luiz Romano Campos, o Sérgio D’Ogun, responsável pela casa, denunciou o tratamento desigual com os candomblecistas que tiveram seus templos classificados como comércio sem direito a indenização. Na época, a Secretaria municipal de Habitação foi procurada e informou que a situação das casas religiosas da Vila Harmonia seria reavaliada.  Entretanto assim que a liminar concedida aos moradores foi cassada NO MESMO DIA  a Prefeitura iniciou a derrubada.
Infelizmente ainda não temos notícias do desfecho desta triste história...
ENTENDENDO A HISTÓRIA SEGUNDO OS ENVOLVIDOS
"Foi Ogum quem me trouxe para cá, há 30 anos", explica Sérgio Luiz Romano Campos, de 57, enquanto mostra o terreiro Ilê Asé T'Ogun T' Yemonjá,na Vila Harmonia, Recreio dos Bandeirantes. O local é a própria definição da essência do candomblé: cercado de árvores, preserva as energias da natureza com pouquíssimas interferências feitas por este marceneiro de profissão. Há duas semanas, o estado de alerta substituiu a tranquilidade do templo religioso. Um funcionário da prefeitura comunicou a Sérgio que o espaço será demolido para a construção da TransOeste, e sem direito a indenização.

- Há cerca de três, quatro meses, funcionários da prefeitura vieram aqui dizendo que estavam cadastrando as pessoas para receber o Bolsa Família. Desconfiei e não fiz o cadastro. Depois, o ex-presidente da associação de moradores veio com um funcionário da SMH (Secretaria municipal de Habitação), que disse nós estávamos no terreno da prefeitura e tínhamos que sair porque aqui seria um retorno. Falei que não estava interessado e que não tomaria medida nenhuma se não fosse notificado - explica Sérgio D' Ogun.
Ajuda da Defensoria Pública
No início de Dezembro, Sérgio e 27 vizinhos tiveram que recorrer à Defensoria Pública para que suas casas não viessem abaixo.
- Ficamos inseguros porque a liminar pode cair a qualquer momento. A SMH diz que o terreiro é um comércio e não tem direito a indenização. Conto com a proteção de Deus e dos meus orixás para permanecer aqui. Tenho filhos de santo na África, na China e na Itália. Como fica o nosso tratado com a terra? E as nossas fundações? - pergunta Sérgio.
A ialorixá Ivânia D' Oxun, no IIê Asé D
Ivânia Moura de Paiva, de 62 anos, a Ivânia D' Oxun, enfrenta o mesmo problema:

- É uma falta de respeito! Disseram que, se eu não saísse, iam chegar quebrando tudo. Isso aqui é coisa séria, é uma religião, não comércio. Não sei para eles, mas, para mim, significa muito. Não invadi a terra, não, eu a comprei.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Ilê Axé Opô Afonjá Terreiro ganha reforma das casas de Oxalá e Iemanjá

 Depois de duas postagens seguidas de notícias tristes, onde imperou a Intolerância Religiosa e o preconceito, uma notícia que nos faz sentir ao menos aliviados, e acreditar que um dia seremos respeitados pela sociedade.





 Dos sete Terreiros de candomblé tombados pelo Iphan, seis estão na Bahia: Casa Branca, Ilê Axé Opô Afonjá, Gantois, Alaketu e Bate-folha, em Salvador, e Roça do Ventura, na cidade de Cachoeira, que recebeu a proteção federal em janeiro. No Maranhão, o Terreiro Casa das Minas Jejê foi tombado em 2005. Em outubro de 2009, após 25 anos da pioneira proteção do Terreiro da Casa Branca, a superintendência do Iphan-BA realizou o Seminário Internacional Políticas de Acautelamento do Iphan para Templos de Culto Afro-Brasileiros, discutindo políticas para os terreiros tombados. O superintendente do Iphan, Carlos Amorim ressalta que “a inauguração das Casas de Oxalá e de Iemanjá, do Terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, um ano após o Seminário é o início de uma série de intervenções importantes. A próxima é a entrega da restauração de parte do Terreio Ilê Iyá Omin Axé Iyá Massê, Terreiro do Gantois”. O superintendente lembra ainda que o Acordo de Preservação do Patrimônio Cultural – APPC, do PAC das Cidades Históricas, assinado em 2010 entre Iphan, Governo da Bahia e prefeitura de Salvador, inclui ações integradas de preservação e promoção do Patrimônio Cultural entre 2010 e 2013, prevendo intervenções nos Terreiros protegidos.

 A noticia abaixo foi veiculada no site do Ministério da Cultura e do Iphan.


Ilê Axé Opô Afonjá

Terreiro ganha reforma das casas de Oxalá e Iemanjá
Foi ao som de pontos de Oxalá, tocados por alabês, que a ministra da Cultura, Ana de Hollanda, foi recebida na tarde desta sexta-feira (11) no Terreiro de Xangô, em Salvador, por Mãe Stella de Oxóssi. Das mãos de Mãe Stella, Ana de Hollanda recebeu a flor branca de Oxóssi e a estatueta de Xangô, no início da cerimônia que marcou a entrega das obras de reforma das casas de Oxalá e de Iemanjá do Terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, localizado no bairro da Cabula. Também participaram da solenidade o governador do estado da Bahia, Jaques Wagner, o secretário executivo do ministério da Cultura, Vitor Ortiz, e os presidentes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Luis Fernando de Almeida, e da Fundação Cultural Palmares, Zulu Araújo, dentre várias outras autoridades.
Em sua fala, a ministra da Cultura lembrou que a história das religiões de matriz africana sempre foi marcada por desafios. “As perseguições policiais já não atormentam os terreiros, sinal do vitorioso processo de afirmação cultural. Mas outras ameaças surgiram, entre elas, o crescimento caótico de cidades, que foi cercando espaços sagrados e suprimindo áreas verdes, onde se encontravam plantas indispensáveis ao cultos religiosos”, observou. Ana de Hollanda ressaltou ainda questões de gênero no contexto das religiões afrobrasileiras: “É algo que nem sempre ganha o realce que merece, mas os terreiros são palco de um capítulo fundamental da história da afirmação da mulher no Brasil”.
Para o governador Jaques Wagner, as relações entre Estado e as religiões afrobrasileiras foram profundamente modificadas ao longo do tempo: “Deixamos para trás um Estado perseguidor e fundamos um Estado parceiro, não cooptador”, afirmou. Comemorando a entrega, o presidente do Iphan dirigiu-se à Mãe Stella: “Posso dizer que até que enfim conseguimos, mas, junto a essa matriz, ainda somos devedores daquilo que somos como brasileiros”.
O presidente da Sociedade Cruz Santa do Axé Opô Afonjá, Pai Ribamar Feitosa, agradeceu o apoio do Ministério da Cultura: “Começo por agradecer ao então ministro da Cultura, Juca Ferreira, que autorizou as obras e, também, à atual ministra, Ana de Hollanda, que, além de nos dar a honra de sua excelentíssima presença, nos dá prova de sua atenção e sensibilidade para com nossa causa”, celebrou. Mãe Stella de Oxóssi afirmou que, para cada ser humano, é uma honra poder trabalhar pelo sagrado.
Reforma – As casas de Oxalá e de Iemanjá do Terreiro do Ilê Axé Opô Afonjá receberam nova estrutura de sustentação do telhado, reforma e recomposição de paredes e alvenarias, nivelamento e execução de novos pisos, readequação dos espaços internos, instalação de gás, revisão geral e execução de novas instalações elétricas e hidrossanitárias e pintura geral. O valor total da obra ficou em torno de R$ 560 mil. No ano de 2000, o local foi tombado pelo Iphan e é referência para o processo de valorização de religiões de matriz africana da Bahia.O terreiro foi fundado em 1910 por Eugênia Anna dos Santos – conhecida como Mãe Aninha.
(Texto: Anderson Falcão/ Ascom MinC)
(Fotos: Valter Andrade/ Manu Dias/AGECOM )